Município de Castelo de Vide

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Área - 265 Km2  Feriado Municipal - Segunda-feira seguinte ao Domingo de Páscoa

Freguesias

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Ordenação heráldica do brasão e bandeira
Segundo o parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 16/05/1944
Estabelecida pela Comissão Administrativa Municipal em 02/06/1944
Aprovado pelo Ministro do Interior em 23/06/1944
Publicada no Diário do Governo nº 147, II Série de 27/06/1944

Armas De vermelho, com um castelo de ouro, acompanhado de dois ramos de vide, de verde, folheados, do mesmo e frutados de púrpura, postos em pala. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com as palavras : " NOTÁVEL VILA DE CASTELO DE VIDE ", de negro.*

Brasão do município de Castelo de Vide



Bandeira - Amarela, de um metro quadrado, com o brasão ao centro. Cordões e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.*

Bandeira do município de Castelo de Vide                         Estandarte do município de Castelo de Vide

Bandeira para hastear (2x3)                                                                       Estandarte (1m x 1m)

*Informação gentilmente cedida pela Câmara Municipal de Castelo de Vide



Transcrição do parecer

[Parecer apresentado pelo Dr. Possidónio Mateus Laranjo Coelho à Comissão Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e aprovado em sessão de 16 de Maio de 1944.]

Não é fácil tarefa explicar com precisão a etimologia dos nomes de muitas cidades, vilas, aldeias e casais que formam hoje os agregados populacionais de Portugal e do seu vasto Império. Essa dificuldade é, sobretudo, maior para aquelas povoações que vão buscar a sua origem à época medieval ou a tempos ainda mais recuados, pois como se tem já dito Portugal tira as suas raízes da antiga Lusitânia e desde sempre, diz Leite de Vasconcelos, tem estado em contacto com variados povos e civilizações e deles recebeu influxo pelo que respeita a vocabulário. As fontes históricas dessas remotas épocas, e bem assim as da vida medieval portuguesa, são escassas e as poucas que existem não nos fornecem, muitas vezes, elementos precisos e suficientemente claros de molde a podermos encontrar a explicação da etimologia de certos nomes. Só por conjecturas, por lendas e tradições, raramente por fontes documentais autênticas e absolutamente dignas de crédito, essas etimologias, a maior parte das vezes, se podem explicar e reconstituir.

Pelo que diz respeito à origem do nome de – Castelo de Vide – o problema da sua etimologia, se ainda até hoje não pôde ter aquele grau de certeza e de inconfundível autenticidade histórica, todavia a sua solução afigura-se-nos ser a mais aproximada da verdade, a mais lógica e coerente com os elementos de investigação que podemos recolher. Basta, pois, um exame atento das fontes históricas que existem, quási coevas da fundação do burgo, basta a sua comparação com as fontes tradicionais, que vêm também já de recuadas eras, para sermos levados a concluir e a justificar a nossa preferência por uma das opiniões com que se tem pretendido explicar a etimologia do nome da formosíssima vila da antiga região de Odiana, justamente e com tanta propriedade cognominada «Sintra do Alentejo».

Duas têm sido essas opiniões: atribuem uns a origem do nome da vila a uma – vide – ou – vides – que nasceram e abundavam no sítio do primitivo burgo onde depois se edificou o castelo; outros, porém, com paranomásia, opinam que esta vila se chamasse – Vila Devide – ou – Divide –, por estar muito próxima da raia e da divisão entre os dois reinos de Portugal e Castela. Para os primeiros o vocábulo – Vide – tem origem na videira que emblematicamente figura no seu brasão de armas; para os segundos esse vocábulo deve atribuir-se à posição elevada em que a vila se encontra e da qual se descobrem horizontes amplíssimos que abrangem ambos os reinos.

Postas em equação as duas opiniões vamos agora ver se é possível resolver o problema.

Para essa solução teremos primeiro que examinar atentamente as poucas fontes históricas que existem comparando-as com as fontes tradicionais que sobre este assunto têm sido recolhidas, para desse exame podermos depois concluir qual destas duas versões será a verdadeira, ou, pelo menos, a que se apresenta mais logicamente próxima da verdade.

O mais antigo documento conhecido relativo a Castelo de Vide é o que se encontra registado na Chancelaria de D. Afonso III, livro I, folhas 123 v., que se guarda no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e cuja epígrafe, a tinta vermelha, diz: «Carta donationis de vide». Por este documento, escrito no português arcaico da época, quando a nossa língua começava a fixar-se desembaraçando-se do latim bárbaro em que estão redigidos os nossos primitivos documentos medievais, o rei D. Afonso, juntamente com a rainha D. Beatriz, sua mulher, filha do mui nobre rei de Castela e de Leão, com seu filho D. Dinis, e suas filhas D. Branca e D. Sancha, doa e outorga ao infante D. Afonso, seu filho e da sobredita D. Beatriz, sua mulher, todo o direito e o senhorio e todo o jus real – «– que eu ei e deuo auer de derereyto e senorio eno Castello da Vide. Ou na villa, e en todolos seus termhos e en todalas ssas perteenças que todolos uos aiades pera sempre –».

O documento, firmado pelos magnates da corte e prelados do reino, é datado de Lisboa, oito dias ante as calendas de Junho da era de 1311, ou seja o dia 25 de Maio do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1273.

Por outro documento, existente no mesmo Arquivo da Torre do Tombo, gaveta 18, maço II, n.º 7, datado de Lisboa no dia seguinte à data do anterior documento a que aludimos, 26 de Maio da mesma era, aquela doação é confirmada e esclarecida, dizendo o rei que ele vira uma carta do Foro de Marvão e achara, por essa carta, que a – Vide –, com seus termos, jazia em termo de Marvão; e que pedindo-lhe por mercê o Infante D. Afonso, senhor de Marvão, lha deixasse filhar, ele doava e outorgava essa – Vide –, com todos os seus termos, pastos, montes e fontes, entradas e saídas e com todas as suas pertenças.

Das expressivas palavras do primeiro destes documentos parece depreender-se que nessa data, já a par da vila, existia castelo ou, pelo menos, um núcleo de fortificação «eno Castello da Vide ou na Villa –; pelo segundo documento depreende-se e comprova-se que essa – Vide –, quer dizer, essa Terra da Vide, pertencia ainda ao vasto termo de Marvão cujos limites se demarcam e confrontam na carta do seu termo dado pelo rei D. Sancho II na era de 1264.

Se castelo ou fortificação já existiam na data do primeiro dos documentos de que fazemos menção, de muito pequena importância devia ser esse castelo, em primeiro lugar por a ele não fazer directa referência o segundo documento, que apenas menciona a – Vide ou Terra da Vide –; em segundo lugar porque referindo-se às primeiras lutas, que D. Dinis teve que sustentar contra seu irmão, o Infante D. Afonso, para contrariar e se opor à doação que se lhe havia feito da vila, o cronista Rui de Pina afirma, aludindo a Marvão, que a próxima vila de Castelo de Vide era – «Luguar entam mais cham que forte –».

D. Dinis compreendendo a grande diminuição e perda que havia para o reino de que o castelo de Marvão, situado em uma admirável posição estratégica da raia, e as terras circunvizinhas, passassem para as filhas do Infante D. Afonso, que estavam casadas com grandes e poderosos fidalgos de Castela, opõe-se vigorosamente à pretendida habilitação das sobrinhas. Deste desacordo resultou a guerra, fomentada e directamente auxiliada com tropas de Castela pelos genros daquele Infante. Foi então que D. Dinis começou febril e tenazmente a fortificar, ou porventura a aumentar qualquer núcleo de fortificação existente na vila, erigindo o castelo e a sua esbelta e altiva torre de menagem, obra que seu filho e sucessor, o monarca D. Afonso IV, mais tarde havia de acabar. Isto se depreende da inscrição que ainda hoje se vê sobreposta a uma das portas da entrada do antigo burgo, voltada para a vila, lado do sul. Conquanto esta inscrição dê a perceber que foi este monarca que fez o castelo, na era de 1365, ano do Nascimento de 1327, tal não é crível nem os documentos de que a seguir vamos fazer menção nos autorizam a dar aos termos dessa concisa inscrição tão rigoroso e vago sentido, tão lata interpretação.

Com efeito, os documentos do reinado de D. Dinis, registados nos livros da sua chancelaria e datados da vila, provam-nas à saciedade que o castelo foi iniciado, aumentado ou reforçado por este monarca, assinando já todos os diplomas expedidos da vila, a partir de certa data, não com o simples nome de Vide ou Villa da Vide, ou Terra da Vide, mas já com o nome do nosso «Castelo da Vide», ou ao «Conçelho de Castel da Vide», note-se bem.

Assim no livro III da sua chancelaria, fl. 136, Torre do Tombo, regista-se uma Carta sua datada de Santarém, a 21 de Março de 1359, ano do Nascimento de 1321, dirigida aos «Juizes e conçelho de Castel da Vide», aceitando as boas razões que os juízes e o concelho alegam acerca dos danos que os gados fazem nas vinhas que ali existem.

Por essa carta ordena, pois, o monarca que elas sejam defesas proibindo que gado algum entre nessas vinhas sob pena de se pagar por cada cabeça 5 libras, sendo 4 para o dono da vinha e uma para os jurados; mais ordena que por qualquer gado que nelas se encontrasse formando manada a soma a pagar fosse de sessenta libras.

Mais decisiva e concludente, sob todos os pontos de vista, quer da importância social da vila neste reinado, quer relativamente à etimologia do seu nome, é o documento registado no livro I da sua chancelaria, fl. 33, v., carta de foro a Vicente Mateus e sua mulher, de uma herdade reguengueira na Ericeira. Esta carta é datada de «Dant in Castelo de Vide», em 30 de Maio da era de 1319, ano do Nascimento de 1281.

De Vite, note-se bem, do português alatinado da época e vocábulo evidentemente derivado da palavra latina «Vitis, is», que significa vide, videira, ou que nasce da vide. (Pedro Brou Lexicon-Latino – Portuguez; Pedro José da Fonseca – Diccionário Portugues-Latino – 7.ª edic.).

Em outra carta deste monarca, registada na Chancelaria do mesmo rei D. Dinis, livro III, fl. 7 datada do Arreal de Portalegre, a 2 de Maio da era de 1337, ano do Nascimento de 1299, faz el-rei mercê «a uos Concelho de Castel da Vide», e outorga-lhe os seus usos, «termos velhos e novo», assim como se usavam e tinham até essa data.

Nesse mesmo livro e folha regista-se outra carta, expedida do mesmo local e na referida data, por meio da qual D. Dinis, juntamente com rainha D. Isabel, sua mulher, e o Infante D. Afonso, seu filho maior e herdeiro, promete no «Concelho de Castel da Vide», que nunca dará «o dito castelo» por herdamento, nem em terra, nem em préstamo, a nenhum homem, o qual será sempre da coroa do Reino.

Ainda a fl. 134 do citado livro de chancelaria regista-se outra carta do mesmo rei, datada de Santarém, a 25 de Janeiro da era de 1359, ano do Nascimento de 1321, ordenando que o alcaide do castelo de Marvão, Afonso Martins Telo, seu vassalo, fosse ver como estavam abastecidos e manteúdos os castelos de Portalegre e da Vide, de Arronches e de Monforte.

São estas as mais antigas fontes históricas relativas a Castelo de Vide.

O exame atento desses documentos, as suas claras e expressivas palavras autorizam-nos, no que nos parece e salvo melhor opinião, a concluir o seguinte:

1 – Anteriormente ao reinado de D. Dinis a povoação é conhecida com o nome de «Terra da Vide» ou «Villa da Vide» ou simplesmente «Vide».

2 – Se é certo que algumas cartas do rei D. Dinis, registadas nos livros da sua chancelaria, nos aparecem ainda datadas de «Vite», ou «apud Vite», ou «Vide», como nos documentos do rei, seu antecessor e pai, é só no reinado do monarca lavrador que em diplomas propriamente respeitantes à vila o rei se dirige já ao «Concelho de Castel da Vide», ou aos «– Juizes e Concelho de Castel da Uide –».

Prova-nos isto, à evidência, que só neste reinado a vila teve personalidade jurídica como concelho, já independente do concelho de Marvão; autonomia municipal, portanto, confirmação dos seus antigos usos, demarcação definitiva e oficial do âmbito dos seus termos velhos e novos. É a partir deste reinado que a palavra Vide começa a aparecer junta, pela proveniência da sua preposição, ao vocábulo – Castelo –, formando a designação conjunta de «Castelo da Vide».

3 – A existência, no sítio da antiga povoação, ou nos seus termos, de muitas vinhas, vem confirmar a tradição, que vem já de longe, como adiante veremos, de ser esse sítio mui natural em produzir vides bravas e férteis os seus arrabaldes em vinhas.

4 – Em todos os livros que percorremos da chancelaria dos reis posteriores a D. Dinis, se consigna e usa sempre a mesma clara e inconfundível designação de «Castelo da Vide», não se encontrando em passo algum confundida esta designação com a de «Castelo Divide» ou Devide, se bem que algumas raras vezes se encontre a expressão e vocábulos conjuntos de «Castelo Davide», o que é diferente, e significação que não é licito confundir, nem histórica nem gramaticalmente, com aquelas.

É só mais tarde, por volta do último quartel do século XVII, que regularmente nos começa a aparecer o nome da vila com a sua actual designação de «Castelo de Vide».

5 – Se é só nos diplomas e cartas régias de D. Dinis que o nome de Castelo oficialmente nos aparece sempre ligado ao vocábulo Vide, como acima dissemos, formando já um concelho, isto nos prova que, sem excluir a possibilidade de existir já neste sítio um pequeno núcleo de fortificação, a forte estrutura do actual castelo foi obra iniciada por este monarca.

Foi este monarca que cercou e apertou o velho burgo no recinto das suas muralhas, que delineou e fez construir as suas vigilantes e salientes torres e bastiões, a sua esbelta e altaneira torre de menagem, as fortes escarpas e contra-escarpas protegendo as suas entradas. Tudo isto se deve ao espírito previdente deste monarca e à imperiosa necessidade em que se viu de fortificar esta linha ameaçada da fronteira. Foi ele, pois, que delineou, que deu começo e desenvolveu, com notável incremento, esta obra que seu filho e sucessor havia depois de lograr concluir. E a provar o seu interesse pela sua realização, a sua simpatia e atracção pelo pitoresco da vila, pela amena frescura dos seus vales e encostas, pelas deslumbrantes perspectivas dos seus rasgados horizontes, a prova de tudo isto está na frequência das suas visitas à vila, e na permanência que durante algum tempo nela fez. Devemos a este respeito lembrar que foi aqui em Castelo de Vide que D. Dinis assinou o importante diploma, com data de 24 de Abril de 1281, era de 1310, fazendo – propter nuptias – uma doação à rainha sua mulher D. Isabel, a que depois havia de ser a santa padroeira de Coimbra, assinando-lhe arras por segurança entre outros do castelo de Sintra. (Chancelaria de D. Dinis, liv. I. fl. 41 – Conde de Sabugosa «O Paço de Sintra» pág. 4).

Demo-nos ao trabalho de percorrer alguns dos livros da sua chancelaria verificando que em certos anos, especialmente no ano a que nos referimos de 1281, era de 1319, muitos dos diplomas e cartas régias ali registados são datados de Montemor-o-Novo, de Estremoz, Alandroal, Monforte, Arronches, Elvas, Portalegre e Castelo de Vide, o que nos prova, com efeito, a larga permanência do rei, ou as suas amiudadas visitas, a estas terras da antiga região de Odiana, actualmente a parte norte da província do Alentejo.

 Passemos agora a examinar os monumentos iconográficos e as fontes que nos transmitiu a tradição relativas à etimologia do nome de Castelo de Vide, para vermos e concluirmos se essas fontes estão ou não de harmonia com as fontes documentais que apreciamos.

Guarda-se na Torre do Tombo um precioso códice ricamente iluminado a ouro, prata e cores, intitulado – «Tombo das armas dos Reys e Titulares e de todas as famílias nobres do Reyno de Portugal, intitulado cõ o nome de Thesouro da Nobreza por Francisco Coelho Rey de Armas lndia –». (1675).

Este códice, considerado de importância capital sob o ponto de vista heráldico, contém brasões de algumas dos nossas cidades e vilas, encontrando-se, na folha 18ª, o brasão de armas da vila de Castelo de Vide figurado da forma seguinte: De vermelho com um castelo do ouro, acompanhado de dois ramos de vide com sua cor e cachos de púrpura.

É pois este códice, precioso pelo valor das suas iluminuras, a mais autêntica fonte e um dos mais valiosos documentos sobre a heráldica e o brasão de armas das terras de Portugal.

O erudito bibliotecário do convento franciscano de Xabregas e cronista da Ordem, Fr. Jerónimo de Belém, nas «– Memórias da Santa Província dos Algarves –», manuscrito da livraria da Torre do Tombo, n.º 1911, folha 441.ª. (Século XVIII), dando notícia da vila de Castelo de Vide, sua situação, notabilidade e antiguidade, diz, em certo passo, o seguinte: «Muitos são de opinião que o chamar-se esta villa de Castello da Vide he por ser sitio mui natural em produzir vides bravas e sem duvida que muitas nascerião em o Castelo antes de estar edificado e por esta razão lhe darião os novos habitantes este nome. O que sei he que esta villa usa por armas hum castello enleado em vides e por villa o seu nome».

Nas «Memórias Parochiais» que se guardam manuscritas na Torre do Tombo, mandadas organizar por ordem do Marquês de Pombal, conhecido pelo nome de «Dicionario do padre Luiz Cardoso», os Padres João Aires Baptista, vigário de Santa Maria da Deveza, da vila, e Manuel Carrilho Gil, prior da igreja de S. João Baptista, o primeiro no seu relatório datado de 18 de Maio e o segundo no que data em 24 do mesmo mês, ambos do ano de 1758, descrevem o brasão da vila tendo como origem uma grande vide que nasceu junto do sítio do castelo e daí o figurar-se o escudo de armas da vila tendo no meio um castelo cercado por uma vide.

Assim também o descrevem, entre outros, o Padre António Carvalho da Costa na «Corographia Portuguesa», Pinho Leal no seu «Diccionario», Pinheiro Chagas no «Diccionario Popular», o dicionário «Portugal», e Vilhena Barbosa no livro intitulado «As Cidades e Vilas da Monarchia Portugueza que teem Brasão d’Armas» – Lisboa – 1865. No fim deste volume, hoje raro, entre as gravuras dos brasões de várias terras figura o de Castelo de Vide, representado também pelo escudo tendo no meio um castelo envolvido por uma vide com seus cachos e parras.

Em uma pasta que se guarda na Torre do Tombo, na colecção do «Cartório da Nobreza», existem 137 gravuras de brasões de cidades e vilas de Portugal. O escudo de Castelo de Vide, que tem nessa pasta o n.º 41, é também figurado tendo no meio um castelo cercado da emblemática vide com seus cachos e parras. Esta pasta tem na capa a data de 1853 e é sem dúvida a estas gravuras que se devem referir, ao que nos parece, as palavras do princípio do «Prólogo» do citado livro de Vilhena Barbosa que dizem o seguinte: «Nas festas da aclamação de D. Pedro V, avultaram, entre os ornamentos da Praça do Comercio, brasões das cidades e villas da monarchia portugueza».

Ora D. Pedro V, como se sabe, subiu ao trono nessa mesma data, 1853, e completando 18 anos em 16 de Dezembro de 1855 foi solenemente aclamado com festivas demonstrações de entusiasmo.

O Sr. Dr. Cesar Videira na sua «Memória Historica da muito notável villa de Castello de Vide» corrobora o facto de em todos os velhos documentos e tombos do Câmara Municipal e Misericórdia ser também usual a expressão «Castello da Vide», hesitando, porém, em afirmar categoricamente se a significação do vocábulo «Vide» se deve atribuir à posição elevada da vila e da qual se descobrem horizontes amplíssimos que abrangem ambos os reinos, se à videira que vem associada ao seu brasão. O autor desta «Memória», servindo-se apenas das fontes impressas por não conhecer e não ter ao seu fácil alcance outras fontes históricas limita-se, pois, a reproduzir as duas versões acerca da origem do nome da vila concluindo, porém, por dizer e confessar que à falta de certidão do baptismo tem de se aceitar, sem muito exame, o nome que prevaleceu e o tempo nos transmitiu.

O Sr. João António Gordo no seu «Bosquejo Historico de Castelo de Vide», acostando-se aos dizeres de Pinho Leal, no seu «Diccionario», consigna as mesmas duas versões acerca do brasão da vila, que reproduz em gravura.

Resta-nos, por último, fazer menção dos monumentos iconográficos que sobre o escudo das suas armas existem em edifícios públicos ou particulares, fontes ou quaisquer outras construções da vila. Se a memória nos não falha, pelo menos, os principais e mais dignos de exterior relevo, são os seguintes: O escudo de armas pintado no tecto de uma das salas do edifício da câmara municipal; o frontão de granito, tendo no centro, em mármore, o escudo das armas da vila, sobreposto e rematando o telhado da fachada principal da dupla escadaria deste mesmo edifício; na Fonte da Vila, no largo a que deu o nome, hoje Largo Dr. Frederico Laranjo, na coluna de quatro faces que remata a mesma fonte, vê-se também em duas faces o mesmo escudo de armas da vila; o belo medalhão em mármore do tímpano da fonte monumental da Mealhada; o escudo elegante em granito na fachada do edifício que serve de quartel da Guarda Fiscal; um azulejo policromo de recente data; o selo em branco da Câmara, e o brasão figurado nas duas velhas bandeiras do Município.

Em todos estes documentos iconográficos o escudo de armas da vila é figurado em harmonia com a velha tradição – o castelo cercado por uma vide com seus cachos e parras.

Do exposto parece-nos ser lícito concluir, baseados nos elementos de investigação que reunimos, que o vocábulo – Vide –, como haste ou ramo da videira, está muito mais associado à tradição, do que o significado que outra versão tem pretendido atribuir-lhe.

Entendemos que deve ser esse o brasão de armas da notável vila de Castelo de Vide, título que lhe foi dado por D. Pedro II, quando ainda regente, por uma provisão de 17 de Setembro de 1674.

Propomos que o seu brasão de armas seja assim constituído:

ARMAS – De vermelho com um castelo de ouro acompanhado de dois ramos de vide, de verde, folheados do mesmo e frutados de púrpura, postos em pala. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com as palavras «Notável Vila de Castelo de Vide», a negro.

SELO – Redondo, com as mesmas peças, e à roda a legenda «Câmara Municipal da Notável Vila de Castelo de Vide».

BANDEIRA – Amarela, de um metro quadrado, com o brasão no centro, Cordões e borlas de ouro e vermelho.

 Nota do relator.

Seja-nos lícito dizer, comentado a douta proposta, que não é vulgar ser de ouro o castelo do escudo de armas das vilas que o usam; esse castelo costuma mais geralmente figurar-se de prata, na heráldica do domínio. O facto de se ter representado o brasão de armas de Castelo de Vide com o castelo de ouro deve explicar-se, como opinaram alguns dos ilustres vogais dessa Comissão, pela importância da vila, não somente devida à riqueza e abundância das suas culturas, à fertilidade dos seus campos, como também por ter sido sempre real o seu castelo e da coroa do Reino, desde que D. Dinis o fundou e desenvolveu, reconhecendo assim que a vila e fortaleza haviam de ter na defesa da Nacionalidade.

A cor vermelha do campo do escudo significa que o castelo se distinguiu em feitos de guerra, a que é oposta a cor do campo em azul quando se pretende significar que essa notoriedade foi alcançada em actos pacíficos e de paz. A cor da bandeira tem de ser da cor do metal do castelo, portanto de amarelo ouro.

 

(Texto adaptado à grafia actual)

Fonte: O Brasão de Armas, o Sêlo e a Bandeira do Município de Castelo de Vide, separata de «O Castelovidense», Castelo de Vide, 1944.

Ligação para a página oficial do município de Castelo de Vide

 



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Página actualizada em 11-03-2021                                                                                         Page updated on  11-03-2021