Heráldica Portuguesa de Domínio

Bem-vindos à página Heráldica Portuguesa de Domínio!

       Esta página é a sucessora da antiga Home Page do Físico, colocada online a 21 de Outubro de 2001 e que ficou inacessível no final de Dezembro de 2005, não por minha vontade, mas em virtude do servidor brasileiro onde esta estava alojada ter decidido, unilateralmente, terminar com a gratuidade do alojamento para todas as páginas que lá se encontravam.

       Era uma página de referência para muitas outras, como o projecto Wikipédia, páginas de municípios e freguesias, ou de vexilologia e heráldica (portuguesas e estrangeiras), como Heraldry of the World, as quais utilizavam as imagens que eu tinha refeito, por serem na altura as de maior tamanho e qualidade gráfica existentes na internet.

       Apesar da página não estar online, mas sempre com este grande projecto em mente, continuei a pesquisar, a desenhar e a actualizar a mesma, melhorando-a. A página foi crescendo, tendo a reorganização administrativa do território das freguesias, ocorrida em 2013, motivado uma completa reestruturação da página, devido à alteração do número de freguesias por extinção e agregação das mesmas.

       Finalmente, após quase 15 anos de trabalho, resolvi que era altura de dar novamente a conhecer a página, colocando-a online.

       Muito contribuiu o facto de, em 2017, ter sido contactado pelo heraldista Eduardo Lourenço Brito, o qual desenvolveu 38 projectos de símbolos heráldicos autárquicos e que conheci quando a antiga página ainda estava online, que me lançou o desafio e o convite para que, com a minha experiência e facilidade no desenho digital, começássemos a desenvolver novos projectos de símbolos heráldicos para as autarquias. Fruto deste desafio e colaboração são, até ao momento, os quatro projectos de símbolos heráldicos autárquicos actualmente aprovados, encontrando-se em desenvolvimento mais alguns projectos.

       Graças, também, ao seu extenso espólio documental sobre heráldica de domínio, consegui muita informação para melhorar, corrigir e completar muitas lacunas existentes na página.

Do que trata afinal esta página?

       Esta página trata-se de um armorial online dedicado à heráldica e à vexilologia portuguesa de domínio. Mas que quer isto dizer? Passo a explicar...

       Um armorial é um conjunto de símbolos heráldicos, principalmente de brasões, podendo ser associadas outras modalidades de representação heráldica, como as bandeiras. O armorial, sendo essencialmente uma recolha e registo de brasões, não tem obrigatoriamente de assumir a forma de livro. No entanto, a maioria dos armoriais assume a forma de livro podendo incluir os desenhos dos brasões ou limitar-se a compilar as suas ordenações, ou seja, as suas descrições através de linguagem heráldica, ou incluir ambos.

 



A Heráldica

       É a ciência e a arte que estuda e descreve os brasões de armas ou escudos, sendo uma disciplina auxiliar da história. É uma ciência de rigor e precisão, na simbologia, no grafismo e na própria linguagem, isso torna a heráldica actual, dinâmica e viva.

A quem se dedica ao estudo da heráldica é dado o nome de heraldista.

       Desde a pré-história a humanidade dedicou-se a criar imagens simbólicas que transmitissem informações através de formas plásticas. Inicialmente terão surgido sinais simples, que mais tarde evoluíram para composições complexas, abstractas ou figurativas.

       Não há certezas quanto às origens da heráldica, no entanto, tudo indica que tenha tido génese militar, encontrando-se as mais antigas referências no Egipto e na Mesopotâmia, assim como nas obras de Homero.

       Existem, também, algumas referências que reportam à Roma antiga, em que as legiões romanas usavam insígnias para se diferenciarem entre si, vendo-se como símbolos o javali, a águia, o elefante, o leão, o touro, a loba amamentando Rómulo e Remo, etc. Estas insígnias eram acompanhadas de um estandarte, o vexillum, sendo o mais conhecido o que apresentava um pano vermelho com as letras SPQR a ouro, que ainda hoje a cidade/comuna de Roma usa no seu brasão, e que era o acrónimo de Senātus Populus que Rōmānus, “O Senado e o Povo de Roma”.

       Podemos dizer que os brasões e as bandeiras andaram quase sempre de mãos dadas. Foi, no entanto, na Idade Média, em batalhas e torneios, que esta dicotomia entre bandeiras e brasões se tornou popular e também um sinal de honra e prestígio, recebendo os nobres cavaleiros, das mãos dos monarcas, a honra de usar um brasão ou cota de armas pelos seus feitos e importância da sua família.

       Fruto da evolução histórica, a heráldica apresenta hoje tantas subdivisões quantas as áreas que ao longo do tempo se pretenderam distinguir, tais como:

- Heráldica familiar, referente aos brasões que identificam uma pessoa ou família;

- Heráldica eclesiástica, referente à simbologia usada pelos papas, cardeais, bispos, congregações religiosas, etc., bem como, por misericórdias, irmandades e paróquias;

- Heráldica militar, referente à simbologia usada pelas forças armadas de terra, mar e ar (exército, marinha e força aérea), em que todas as unidades usam o seu brasão, às forças policiais e a outras forças militares;

- Heráldica cívica ou de domínio, referente à simbologia usada por países, regiões, municípios, freguesias, cidades ou vilas, ou divisões administrativas em que se encontre ordenado um determinado território;

- Heráldica corporativa, referente à simbologia usada por entidades e instituições públicas ou privadas, sejam elas casas do povo, casas dos pescadores, grémios profissionais, corporações de bombeiros, associações desportivas ou culturais, sindicatos, associações patronais, ordens profissionais, empresas privadas, partidos políticos, etc.

       Como se pode ver, hoje em dia, a heráldica está presente em quase todos os níveis da nossa sociedade.

       Actualmente em Portugal, no que diz respeito à heráldica de domínio, usufruem de símbolos heráldicos próprios as regiões autónomas, os municípios e as freguesias, estando também previsto, na legislação em vigor, esse direito às regiões administrativas quando estas vierem a ser instituídas. Têm também esse direito as cidades e as vilas, no entanto, até à presente data, apenas cinco vilas tem ordenação aprovada, tendo apenas uma cidade tentado essa aprovação, que se revelou infrutífera.

       Também as colónias ou províncias ultramarinas portuguesas e as suas autarquias, até à sua independência, usaram símbolos próprios, no caso do território de Macau até 1999, data em que Portugal transferiu a soberania do território para a República Popular da China.



A Vexilologia

       É o estudo das bandeiras, estandartes e insígnias, das suas simbologias, usos, convenções, etc. Este termo foi criado por Whitney Smith, dos Estados Unidos, o qual nos deixou uma vasta obra publicada sobre esta temática. O termo vexilologia deriva de vexilo, em latim vexillum, o qual era um estandarte utilizado no período clássico pelo exército do Império Romano.

       A quem se dedica ao estudo das bandeiras é dado o nome de vexilologista. Por extensão, uma pessoa que desenha bandeiras é chamada de vexilógrafo.
Tal como os brasões, as bandeiras servem de representação visual, estilizada, e de identificação da entidade que a detém.

       Existem muitos tipos de bandeiras, tantos quanto existem entidades soberanas, públicas, privadas ou individuais.

       Existem bandeiras nacionais, regionais, de guerra, marítimas, coloniais, comerciais, corporativas, partidárias, religiosas, pessoais, de sinalização, de comunicação, de decoração, de fantasia, publicitárias, etc.

       Bandeirolas, estandartes, pendões, galhardetes, flâmulas, jaques, são nomes atribuídos para vários tipos de bandeiras, que podem ter diversos formatos, desde quadradas, rectangulares, triangulares, arredondadas, com "cauda de andorinha", ou com outras formas irregulares.

       Na actualidade, as bandeiras estão tão disseminadas, que é difícil não encontrar pelo menos uma no nosso dia-a-dia.

       Na língua portuguesa existem várias expressões idiomáticas com a palavra "bandeira", para referir várias situações ou estados de alma. "Estar a dar bandeira" é uma das mais usadas, referindo-se ao facto de alguém estar entusiasmado com alguma coisa, com alguém ou situação, e inadvertidamente revelar o seu entusiasmo.

       Pode à primeira vista não parecer, mas as bandeiras estão definitivamente enraizadas na nossa cultura.

 



       A heráldica e a vexilologia são precisamente dois dos meus passatempos, que não são, diga-se de passagem, muito comuns actualmente. O objectivo desta página é dar a conhecer, a todos aqueles que a visitam, os brasões e as bandeiras das regiões administrativas, dos municípios, das freguesias, das cidades e das vilas de Portugal.

       É sem dúvida um trabalho de pesquisa gigantesco que já dura há muitos anos, longe de estar concluído, pois o que era apenas pesquisável em bibliotecas e com infindáveis pedidos de informação através de correio para diversas entidades, tornou-se mais fácil e rápido graças à ajuda da Internet. Também os entusiastas destas temáticas passaram a ter mais facilidade em trocar informações e experiências sobre as mesmas.

 

Espero que gostem e boa navegação.

A. Sérgio Horta

 

Texto elaborado por Eduardo Brito e A. Sérgio Horta
 

Agradecimentos ao Samuel Viana e ao Rúben Quadros Ramos pela ajuda técnica que deram para a correcção e ajuda para que este site ficasse online.
Agradecimento aos funcionários da D.G.A.L. pelas informações e imagens enviadas.



Total de páginas - 5471   Páginas de municípios - 308    Páginas de freguesias - 5134



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Página actualizada em 10-03-2021                                                                                         Page updated on  10-03-2021